Domingo, 5 de Julho de 2009

Um dia

Um dia escrevi-te uma longa carta
depois apercebi-me (tarde demais)
que as letras se apagaram
antes da carta ser lida por ti.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Fazes-me rir

Como me rio nem queiras saber....
A vida é um contratempo
e eu sou uma luz
e aqui estamos feitos calores
valores e queridos de ler.

Vem cá, sorri e dá-me a mão
abraça-me, esventra-me
quem sabe o que queres
como saberei da solidão?

E vamos carregando a vida
num torpel sem motivo
como queres que eu saiba
aquilo que te activa.

E...assim, amalucados
te amo e te persigo,
cactos e exarcebados
matar-te-ei de postigo...

Sem saber porquê!

Sábado, 27 de Dezembro de 2008

FIM AQUI

Agradeço a todos os que me têm visitado e acompanhado neste espaço.

A partir de 2009 estarei somente no As minhas romãs e no Por ti...com os meus olhos.

Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2008

La mer


Sur la place
de tous les champs
je chante l'angoisse
des jours qui passent
sous l'ombre
des arbres
du chemin.

Sur la plage
la mer rejoint
mes passés
et mon présent...


Foto: Maria Clarinda.

Terça-feira, 23 de Dezembro de 2008

As rosas


Ardem todas as rosas
e deixam um branco
tépido
e olorento
de pesadas penas,
gostosa fortuna,
ardem as rosas
perfumadas
do meu jardim.


Rosa oferecida pela Lena.

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

Sim?

Batem à porta.
Sim?
Quem é?
......

Eu.

Eu, quem?!
Óbvio...

Ninguém.

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Este mar


Lido e entendido
o mar estende-se
a perder de vista
salgado e ardente
num espasmo
omnipresente
uma voz profunda
de Paz
um delírio de melancolia.


Foto: Viajantis

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Tempo II


O tempo já não se alonga
passa rápido por nós
ou nós voamos nele
e o tempo intitula-se
senhor de nós
ou nós amantes dele
e perdemo-lo
e o tempo se satisfaz
matando-nos
num ápice
e sem termos tempo
de o controlar
morremos no
sempre tempo,
em tempo...


Foto:Viajantis

Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Avô


O meu avô paterno pegava-me ao colo e levava-me a cheirar todos os frascos de perfume da minha avó, no toucador do quarto.

Para mim era um enorme prazer, teria eu uns 2 ou 3 anos.
Esperava sempre que ele o fizesse e ele fazia-o com todo o cuidado e mimo.

Fiquei, portanto, a gostar de perfumes e de cheiros e não sei se isso apurou o meu olfacto!
Quero acreditar que sim.


Foto digitalizada na moldura e portanto não em muito boas condições.

Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2008

Baloiço

Era o baloiço nas Caldas da Rainha
e o escorrega que não queria escorregar,
quando cheguei ao cimo
foi mesmo complicado!
Alguém me foi agarrar
lá acima e me trouxe
sem que eu tivesse
que escorregar.

-E as bicicletas?
Tanto que toquei
a campainha para
que saíssem da frente
e lá me mantive...nem caí!

Eram as férias despreocupadas
da infância,
alguém me salvava
se estava em apuros.


O alguém era o meu Pai.
É o meu Pai.

Sábado, 13 de Dezembro de 2008

Pedras

Tropeçamos em pedras,
atiram-se pedras,
colocamos pedras,
as pedras são pesadas
e magoam,
fazem-nos cair,
partem-nos aos bocados,
mas continuam sempre
pedras...

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

À deriva II

Vejo-te numa complicada amálgama de nevoeiro e chuva, tempestade e relâmpagos, mas adivinho-te mesmo assim, através dum cinzento compacto, sombrio e intemporal em que me encontro e te vislumbro, dificilmente na forma que te sonho, facilmente no jeito que te componho, permaneces nítido, transparente, como estes beijos que te deixo num poema de sem amor. À deriva.

Escrito inédito em 20 Novembro de 2006.

Terça-feira, 9 de Dezembro de 2008

Simples facto
tão banal e silencioso
como a noite caindo
suavemente sobre a cidade
e sobre o mar
deixa um leve rasto
de saudade
e docemente pousa
nas asas de condor.

Domingo, 7 de Dezembro de 2008

Detalhes

No olhar enleio que te define
o movimento perpetua
a limpidez
em vagas lidas pela noite
e em ínfimos detalhes
descobre-se a magia
insolvente
e indefinível
do quotidiano.

Sexta-feira, 5 de Dezembro de 2008

Cidade


Do momento soltam-se
as nuvens sobre a cidade
e aninham-se no meu colo
a inquietude do mistério,
a insolvente matéria
dos meus sonhos,
a maré enche-se de branco
e a areia molhada
vinca-se sob os meus pés.

Renovo-me a cada instante
misteriosa matéria
marés brancas de sonhos
e cidades feitas de areia.


Foto: Viajantis

Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

A apresentação em Lisboa


Depois de amanhã será a apresentação em Lisboa do '22 olhares sobre 12 palavras'.

Estão todos convidados.
Até lá.

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Expansão


O poema largou amarras
partiu
e o mar ficou calmo
azul liso.

As velas enfunam
e a palavra toma o lugar
insubstituível do silêncio.

O poema expandiu-se.

Expande-se na garganta
e o presente
é a viagem solitária
ao longo da memória.


Foto: Viajantis

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Folhas

Às vezes as pessoas
encontram-se
quando as folhas
deixam de ser labirintos
e se tornam brancas
e lisas
e as pessoas traçam-lhes
linhas perpendiculares
e as rasgam.

Às vezes as pessoas
não se encontram
porque as folhas são outras
e cheias de linhas confusas
e borrões de tinta.

Às vezes não existem linhas
e as pessoas
desencontram-se
e perdem-se nos labirintos
que mancharam as folhas.

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

Luz

Às palavras de outrora
acrescento um novo som
uma descoberta
em matizes sensuais
de mar
e concretizo no olhar
toda a luz
que me fala a poesia.

Terça-feira, 25 de Novembro de 2008

A propósito do 22 olhares sobre 12 palavras

Foram publicados anteontem no Eremita os textos referentes ao 8º jogo.
No nosso livro só estão incluídos até ao 5º jogo.

Aqui fica o meu poema que se intitula Eremitério:

Não me fales tu de aleivosia
comiseração ou misticismo,
unguento,
porque as minhas mãos
na infinitude de urdir
são pão, preciosidade
e o sincelo silêncio
do teu eremitério!

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

Diário


Velho diário
sempre inacabado,
falha uma palavra,
cai uma letra,
um ditongo
ou uma rima sem rima,
diário velho
amarelecido
e semi desfeito,
enfiado no baú
do nunca,
calado
em folhas gastas,
diário de diários
feito, escrito, descrito,
diário de amanhã.


Foto: Viajantis

Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

Amanhã


É já amanhã.
Estão todos convidados.

Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

Eu


Sou mulher fêmea amante
sou gota de água lágrima e mar
sou terra planta flor
pedra e rio
e sou música voz e poema
e sou eu...
indefinível num intervalo
inesperado.


Foto: Viajantis

Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

O meu próximo livro 'Golpe de asa'


Foi-me dito pela Fernanda Frazão, da editora Apenas Livros, que talvez ainda este mês de Novembro seja editado na Colecção literatralhas NOBELizáveis, o meu livro 'Golpe de asa' com 40 poemas.

Quando souber mais alguma coisa sobre este livro, direi.
Mas antes do Natal será...assim espero.

Tenho quase pronto o 3º livro.
Tenho escrito bastante e nem tudo é publicado nos blogs, embora tenha aberto mais alguns para poder ir publicando regularmente em todos.

Apesar dos ataques de falta de inspiração súbita, ou lenta...eu escrevo.
Digo e repito, que o escrever, para mim, a partir de determinado momento da minha vida, se tornou uma terapia.
Desde pequena que escrevo. Interrompi vários anos a poesia para editar um livro em prosa, em Junho de 2001 'Incoerências', pela Editora Minerva. Um livro que não me satisfez como o 'Canela e erva doce' da Editora Magna em Outubro de 2006, que considero como o meu 1º livro, porque gosto muito dele e do espírito que presidiu à sua elaboração.

O 'Golpe de Asa' é como que uma continuação desse mesmo espírito.
O futuro 'Nevou este Verão' será a continuação...e assim por diante.

Enquanto eu estiver por aqui, eu escreverei.
Mesmo que por vezes pareça que não.

Obrigada por me aturarem.
Aqueles que gostam de mim.

Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Nós

Gosto de te amar assim
misto de luar e neblina
de vento quente e maresia
de final de tarde
seja o minuto
simples de sobreviver
ou a hora viva
omnipresente,
esta loucura
permanente
este êxtase largado
à desfilada
num campo aberto
de papoilas,
este manso soluço
de cascata.